O evento que ficou conhecido mundialmente como a tragédia de Superga, em 1949, um acidente aéreo que marcou a história do futebol, encerrou a carreira de um dos mais brilhantes meias armadores em todos os tempos. Na volta de um amistoso contra o Benfica, o avião que transportava elenco e comissão técnica do famoso Grande Torino colidiu com a fachada da Basílica de Superga, nas proximidades de Turim. Uma fatalidade, não houveram sobreviventes.

Como muitos devem saber, nos anos anteriores, após a retomada do campeonato italiano em 1946, o Torino conquistou quatro vezes seguidas o Calcio! Que somados ao título da temporada de 42/43, acumulariam 5 títulos na década de 40. O que claro colocava o time como uma das principais equipes em atividade no mundo naquele período. O acidente ocorreu quando restavam apenas quatro rodadas para que o campeonato terminasse. O Torino teve que jogar as partidas restantes com seus juvenis. Em grande sinal de respeito, seus quatro adversários (Genoa, Palermo, Sampdoria e Fiorentina) também escalaram seus juvenis.

Nascido em 24 de julho de 1919, Mazolla estava próximo de completar 30 anos e no auge de sua carreira, apenas uma fatalidade, como a ocorrida, lhe tiraria da copa de 1950 no Brasil, sendo assim, esse acidente pode ter mudado o curso da história do futebol.


Valentino teve uma infância de muita luta, como vários italianos de sua idade, que viveram aquele período, desde cedo, trabalhava, precisou abandonar os estudos, e tinha em seu tempo livre o futebol como atividade. Começou a atuar em equipes menores da região, até que um dia, o time da fábrica Alfa Romeo, que disputava o equivalente a Serie C do Calcio, lhe deu uma oportunidade em sua equipe principal. Seu destacado talento não o segurou nem por um ano nas divisões inferiores, o time do Venezia, ao final da temporada de 1939, contratou o jovem para disputar a divisão principal do Campeonato Italiano.

Pelo Venezia, Mazolla foi apresentado a Europa, e começava ali, uma parceria com outro craque que jogaria ao seu lado até o fim de sua carreira, Ezio Loik, que chegou no time ao mesmo ano de 1939. Os dois renderiam ao time o maior título de expressão do clube, a copa Itália de 1941, e ainda levaram o time ao terceiro lugar no Calcio de 1942. Foram 61 jogos e 12 gols oficiais pelo clube, entre os anos de 39 e 42.

O time rubro da cidade de Turin, grande rival do Juventus, o Torino, começava a se reforçar desde o início da década e já contava com craques como Guglielmo Gabetto, que havia sido contratado do time rival em 1941, os jovens expressivos Ezio Loik e Valentino Mazolla foram contratados juntos ao fim da temporada de 1942. Os dois, segundo conta a história já estariam apalavrados com o Juventus, mas uma grande intervenção financeira do presidente do Torino, Ferruccio Novo, garantiu a transferência, como citam os periódicos, foram necessários duzentas mil liras e mais dois jogadores do Torino envolvidos na transação, cedidos ao Venezia.


Aí começaria uma linda história, cruelmente interrompida pela guerra e por um acidente. Na mesma temporada que se transferiu para o Torino, na última edição do Calcio antes da pausa que a guerra impôs, já veio o primeiro scudetto. A essa altura, Mazzola já pai de Sandro, seu filho que conseguiria destaque pela Inter de Milão (417 jogos, 116 gols) confirmando o DNA vencedor da família. Pelo grande respeito ao presidente do clube, o filho de Mazolla, nascido em 1945, se chamou Ferrucio, que teve uma carreira menos destacada por clubes, porém teve uma carreira emblemática como cartola no futebol italiano.

 

Valentino e seu filho Sandro Mazolla


O que a guerra nos impediu de ver, foi a Itália, que muito provavelmente seria formada por jogadores do Torino, nas edições de 1942 e 1946, sua carreira por seleção também foi abreviada, constando apenas 12 jogos nos registros oficiais. Quando a temporada de 45-46 foi retomada, terminada a pausa, o título da Torino veio como uma confirmação, mas a temporada seguinte, teria Valentino, então capitão do time, como artilheiro, com 29 gols, sua melhor temporada em atuação e tentos.

Um dos momentos mais marcantes da carreira de Mazolla e do Grande Torino, se deu em 1947, quando o time terminou o primeiro tempo perdendo por 1 x 0 para a Roma, diz a lenda que no vestiário Mazolla indagou brutalmente seus companheiros sobre o futebol jogado, e então numa atuação rara de Valentino, o time retorna e vira o placar para um impressionante 7 x 1.


A derradeira partida acomteceu em 3 de maio de 1949, o Torino perdeu para a equeipo de Benfica por 4 x 3 e Mazolla foi autor de um dos gols. Seu nome ficará gravado na história, como uma lenda do Calcio, e por uma das mais lamentadas perdas na história do futebol.
 

 

Veja abaixo um raríssimo registro em vídeo sobre o último jogo do Grande Torino:
 



Este outro emocionante vídeo, mostra em detalhes o último gol de Mazolla: