Como jogador, Béla começou sua carreira jogando num clube local, o Törekvés, entre 1917 e 1919, tendo-se tornado profissional num clube histórico da Hungria, o MTK, onde também apenas esteve durante duas épocas. Nessas duas temporadas, foi campeão húngaro, onde já protagonizaria a primeira polêmica de sua vasta história. Béla havia atuado no Törekvés no mesmo ano de 1919, antes de se transferir ao MTK, e as regras da competição atuais, não permitiriam que o jogador atuasse em duas equipes pelo mesmo ano, o que quase ocasionou perda de pontos ao MTK, segundo a história a questão foi contornada apenas com um pedido formal de desculpas feito pelo próprio Béla.
Nos anos seguintes à 1919, o caos proveniente do pós guerra, se espalharia por toda a Europa, de uma maneira cada vez mais crescente, Béla, ainda atuaria no time húngaro do MTK, até o ano de 1921, onde após uma onda de espancamentos e assassinatos de judeus na Hungria, em 1922, conhecida historicamente como Terror Branco, temendo por sua vida, tornou-se impossível a permanência no país, e por sorte, o habilidoso médio, conseguiu se transferir para o time austríaco do Hakoah Wien, da capital Viena, o clube é conhecido, por aceitar apenas jogadores judeus, nesse período crítico. Entre os anos de 1921 e 1924, Béla realizou quatros partidas pelo selecionado húngaro, antes do agravar da crise política no país, o que mostra que em condições normais, talvez seria lembrado como um craque do esquadrão nacional.
Béla como jogador do Hakoah Wien
Béla Guttmann jogando em New York
Sim, o lendário Béla, foi um taberneiro de sucesso em New York, e juntou uma bela (trocadilho infame) quantia em dinheiro, seu terceiro clube nos USA foi o New York Hakoah, que mostra mais uma vez como o patrimônio judeu foi influente na história do esporte no país, a própria história de Béla desmente que o futebol só chegou aos USA muitos anos depois, com a geração do NY Cosmos de Pelé e cia. Béla nos USA também testemunhou outro fenômeno histórico, o crack da bolsa de 1929, onde perdeu grande parte de sua recém-feita fortuna, fato o qual o deixou em grandes dificuldades nos anos seguintes, ocasionando sua volta para a Áustria em 1932, pelo mesmo clube que o acolheu em seu primeiro êxodo, o Hakoah Wien.
Em sua volta ao Hakoah como jogador Béla estava castigado pela miséria que o crack da bolsa lhe flagelou, debilitadíssimo, foi apenas capaz de fazer 4 partidas pela equipe, decidiu se aposentar, porém, sua forte personalidade, característica de liderança e inteligência o habilitaram para ser o técnico do time na sequência do fim de sua aventureira carreira como jogador. Começaria então, uma verdadeira LENDA fora dos gramados.
As duas primeiras temporadas como treinador foram sofríveis, lutando contra a queda no campeonato, mas reforçando sua qualidade como treinador, decidiu se transferir para a Holanda em 1935, onde protagonizou, outro fato inusitado, a primeira cláusula de contrato milionária, na história do futebol! O time do Enschede, hoje Twenete assistia de cadeira o domínio holandês, que desde aquela época já era formado por PSV, Ajax e Feyenoord. Então, Béla, num surto de sorte e magia, propôs ao presidente uma quantia milionária em contrato, caso o time ganhasse a competição, diz a lenda que o presidente aceito imediatamente, pensando ser impossível, porém, estava a rezar nas fases finais do campeonato, para que o time o perdesse, e não houvesse de pagar tanto dinheiro, e deu certo, o Enschede terminou em segundo, o que foi inusitado e inesperado de qualquer forma.
Béla retornou ao Hakoah, como treinador em 1937, já com um certo sucesso e fama por suas temporadas na Holanda, e no ano seguinte, 38, ousou retornar ao seu país para treinar o time do Újpest. Porém, os mais letrados na história, já perceberam que, esse período foi muito ingrato para os judeus, e a vida de Béla mudaria definitivamente nos anos seguintes.
Pouco se sabe sobre o que realmente ocorreu durante o período do holocausto, Béla não gostava de comentar muito sobre o assunto, porém, anos depois uma de suas biografias, feita com mais pesquisa, pelo inglês David Bolchover, revelou que após ser expulso do Újpest por ser judeu, ele logrou o cargo de conselheiro secreto do presidente do clube, e passaria o ano seguinte vivo, apenas pela peripécia de passar não se sabe quanto tempo, escondido em um sótão.
Béla esteve por algumas vezes bem próximo de ser uma das vítimas do nazismo
No pós guerra, Béla volta a Hungria, por onde treina equipes como o Újpest, e o Vasas, vale a pena dizer que esse foi considerado um período de ouro para o futebol húngaro, que nos anos seguintes causaria grande assombro na Europa, culminando no vice campeonato mundial em 1954, perdido nos detalhes para a Alemanha. Sendo assim Béla consegue alguma projeção internacional e em 1949, foi convidado a dirigir a equipe italiana do Padova, naquele ano mítico para o Milan de Nordahl. Sua carreira sua característica de andarilho faziam certo sucesso, assim como o selecionado Húngaro e o clube do Hoved (Hungria) com seu esquadrão imbatível, que inspirava os dirigentes europeus de outros países a formatar um campeonato unificado europeu, o torneio mais famoso da época era a copa latina, onde apenas os países de língua latina participavam.
Guttmann foi treinador do lendário Milan que tinha em seu esquadrão Lorenzo Buffon, Nordahl e Nils Liedholm
Béla Guttman, Sandor Kóccis e Ferenk Puskás, no Honved em 1956
Guttman com as duas taças continentais conquistadas pelo Benfica
Nunca nem em cem anos esse clube será campeão continental novamente.
-Béla Guttmann sobre o Benfica
Újpest FC
- Campeonato Húngaro: 1938-39, 1946-47
- Mitropa Cup: 1939
- Campeonato Paulista: 1957
- Campeonato Português: 1958-59
- Campeonato Português: 1959-60, 1960-61
- Taça de Portugal: 1961-62
- Taça dos Campeões Europeus: 1960-61, 1961-62
Ferenk Puskás, Sandor Kóccis, Lorenzo Buffon, Nordahl, Zizinho, Eusébio.


