A América parou quando Boca Juniors e River Plate chegavam para decidir a Copa Libertadores de 2018. Com certeza, seria a maior decisão já vista no torneio Sulamericano, disputado desde 1960. Os olhos não só da América, mas de todo o Mundo estariam virados para a Capital da Argentina, Buenos Aires, um desfecho realmente ideal para a ultima final em dois jogos do certame. Mas a decisão entre Boca e River se condensa no que aconteceu nos bastidores.


 
Na primeira partida, em 10 de Novembro, um temporal pôs em dúvida a realização do jogo, que foi devidamente postergado pela entidade máxima do futebol sulamericano, a Conmebol. No dia 11 então, o superclássico abriu então a grande final, com uma partida digna dos dois clubes e da ocasião. Como num verdadeiro tango porteño, dois pra lá e dois pra cá, deixaram a decisão aberta para a partida final em Núñez. No dia 24 de Novembro, uma Argentina extasiada se preparava para o desfecho do maior confronto entre Boca Juniors e River Plate. Todo o êxtase se transformou em apreensão e o clima na cidade porteña se esquentou. O papelão de alguns hinchas millonarios deu o desfecho que ninguém queria para aquele jogo.

Depois de lotar o Monumental em dois dias seguidos, a final foi transferida para campo neutro, no Estádio Santiago Bernabeu em Madri, frustando os inocentes torcedores. Uma afronta aos "Libertadores da América", a final em solo espanhol de um torneio que homenageia quem lutou pelo fim do colonialismo em nosso solo. Milongas a parte, os rivais fizeram em Madri uma partida que retratou bem o futebol sulamericano. Falta de técnica evidente, tática que prende o jogo e gana demais para pouca qualidade. Uma prorrogação em que muitos jogadores estavam despreparados, assim como a Conmebol estava para realizar tais eventos.

Uma boa partida pela dramaticidade e importância do resultado, mas que não salta aos olhos pelo futebol praticado. Não era a decisão como esperava a maioria, mas a ideal pelo desleixo e falta de ação da entidade sulamericana. O campeão poderia ser qualquer um, mas o resultado é o mesmo. Venceu o River Plate pela competência e pelo que se tornou o Boca Juniors durante a partida, que se esfacelou com o passar do tempo até acabar na prorrogação. "Y blindemos, la ultima Copa" como cantava Gardel. Que nasça, com essas mudanças uma nova Conmebol e uma melhor Copa Libertadores.

 
Nos vemos em Santiago 2019, se houver.