Paraibano de João Pessoa, Leovegildo Lins da Gama Júnior, ou Maestro Júnior, Capacete (apelido dado devido ao penteado que ostentava), é um sinónimo da raça rubro-negra. Grande vencedor pelo Flamengo, numa geração que marcou o futebol brasileiro pela qualidade do futebol apresentado.
A sua eficiência de passe, visão de jogo, eram ímpares, também sua disposição e entrega em campo, além dos atributos psicológicos, era ambidestro, e eficiente em vários sectores, jogou nas duas laterais e também como volante e armador. Júnior também foi um grande cobrador de faltas, e até golos olímpicos constam em seu repertório.
Chegou no Rio de Janeiro ainda criança, e foi jogando bola na praia, que seu talento foi notado, o paraguaio Modesto Bria, técnico das bases do Flamengo, foi o responsável pelo convite, a sua habilidade o destacou em uma carreira meteórica, começando originalmente como volante na base, em menos de um ano, teve sua primeira chance entre os profissionais, no carioca de 1974, já então actuando como lateral direito. Nosso craque do dia foi decisivo nas finais do estadual daquele ano, fazendo golos contra o América do Rio de Janeiro no triangular final do campeonato.
Seu talento e empatia com a torcida, eram mais um ingrediente de um Flamengo que estava prestes a assumir o protagonismo no futebol carioca, depois de uma década ofuscados pelos alvinegros do Botafogo, esse Flamengo seria campeão de tudo, esses jogadores escreveriam seu nome na história do clube de uma maneira única.
Júnior é o jogador que mais vezes vestiu a camisa rubro-negra em 865 oportunidades, embora existam divergências entre os estatísticos o número varia entre 865 e 876 oportunidades. O grande responsável por "fincar" o polivalente jogador na lateral esquerda, foi Cláudio Coutinho em 1976, e talvez seja posição que os flamenguistas tem mais lembranças do jogador. O ano de 76 também marca a sua estreia em torneios oficiais pela selecção brasileira, nas olimpíadas de Montreal, mas ao contrário do que muitos queriam, o polémico Coutinho, mesmo responsável por jogar Júnior na esquerda, o preteriu na escalação do time para a copa de 78.
Seu crescente talento e o de seus companheiros levaram o Flamengo a apoteose dos títulos da Libertadores e a Copa Intercontinental em 81, o então mundial, em cima do Liverpool, após esse feito as propostas de ir jogar na Europa ficaram mais constantes, mas nada parecia capaz de tirar o craque da Gávea, porém em 84 não teve jeito a proposta de 2 milhões de dólares feita pelo Torino, era irrecusável, e Júnior ingressou em uma proveitosa empreitada no campeonato italiano, jogando mais avançado, longe da correria da lateral, o time conquistou um inesperado vice-campeonato e Júnior foi eleito o melhor jogador do ano, mesmo competindo contra Maradona, Falcão e seu ex companheiro de Flamengo Zico.
Parecia que seriam dias de glória e encantamento na Itália, porém, não foi bem assim, em diversas ocasiões o jogador disse ter sido insultado, por ser sul-americano e negro principalmente, os dois casos mais destacados foram os jogos contra Milan e Juventus, que causaram grande comoção na Itália, talvez esse ambiente associado à problemas com o treinador o levaram ao Pescara em 1987, onde ele foi o primeiro brasileiro a vestir a camisa do clube, eleito o segundo melhor estrangeiro do ano, em 88, sua segunda temporada pelo clube.
Júnior participou das selecções brasileiras de 82 e 86 elencos que não levantaram taça, mas que ficarão na memória da torcida, pela técnica em campo. Ao anunciar sua saída do Pescara, ele foi homenageado com um jogo entre as selecções brasileira e italiana com seus elencos de 82, o que talvez já apontaria para uma aposentadoria vindoura, porém, eis o capítulo mais bonito da história do nosso craque, Júnior sentia profundamente o desejo de que seu filho o visse ser campeão com a camisa do Flamengo, e assim o fez, voltando ao Brasil em 89, e ainda ganhando um estadual, uma Copa do Brasil e o campeonato brasileiro de 92, disputando mais 244 jogos oficiais pelo Flamengo.
Ao se aposentar como jogador, relembrou seus dias de praia de forma épica, sendo o maior expoente do Beach Soccer, esporte que chegou a reunir celebridades e craques dos campos em actividade, como Edmundo e Romário, mesmo em jogos oficiais e foi técnico, líder e capitão, jogando bola, num esporte que obteve grande popularidade nos anos 90, em que o Brasil ganhava tudo! Júnior também teve passagens curtas como técnico do Flamengo em 93 e 97, e actua até os dias presentes como comentarista de futebol na Rede Globo de Televisão.
Ficha Completa:
Nome: Leovegildo Lins da Gama Júnior
Nascimento: 29 de junho de 1954, em João Pessoa (PB), Brasil
Posições: Lateral Esquerdo, Volante e Meia-central
Principais clubes: Flamengo (1974-1984) e (1989-1993) , Torino-ITA (1984-1987).
Títulos: Copa Libertadores da América: 1981, Copa Intercontinental: 1981,Campeonato Brasileiro: (1980, 1982, 1983, 1992), Copa do Brasil: 1990, Campeonato Carioca: (1974, 1978, 1979, 1979*especial , 1981, 1991), Copa Rio: 1991, Taça Guanabara: (1978, 1979, 1980, 1981, 1982), Taça Rio: (1978 e 1991).
Prêmios Individuais: inclusão no hall FIFA 100: (2004), All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA 1982, All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA 1986, Bola de Prata da Revista Placar: (1980, 1983, 1984, 1991 e 1992), Bola de Ouro da Revista Placar: 1992, Craque do Campeonato brasileiro(Oficial): 1992.
Melhor Jogador do Campeonato Italiano: (1985-1986) e Oscar del calcio do campeonato italiano (1984-1985, 1985-1986, 1986-1987).


