Extraído da Página Futebol de Todos os tempos:
Série Primórdios nº 17 - José Leandro Andrade
Fartei-me de tantos textos. O que há acerca dele, abunda na net, que nem adianta vos escrever a carreira dele, ou os seus números, ou qualquer outra coisa... É o que há a mais por aí. Nem vou perder tempo com isso. Andrade é um misto de tudo. Há quem diga que jogava como Zidane (nada a ver). Há quem diga que era como Pelé (a única semelhança em comum é a cor da pele). Há quem dizia que era uma mistura de Daniel Alves e Marcelo nos seus melhores momentos (hã!?). Há uma guerra entre se ele era um notável destruidor, famoso por seus trackles em tesoura, aliado aos dotes físicos relevantes para a época (180 cm e 79 kg) ou um notável mágico da bola, flexível nos movimentos, driblador nato. Há quem diga que até driblava com as orelhas (e esta, hein, R10?!). Há quem diga que não era isso tudo. Que há uma fábula tão grande à sua volta que a magia se confunde com a realidade. Será que a figura do José Leandro Andrade inspirou mais tarde o realismo mágico? Nem duvidaria disso... Mas vamos ver isso com mais calma...
A lenda de José Leandro Andrade nasceu nos JO de 1924 em Paris, onde ganhou a alcunha de "La Merveille Noire" (A Maravilha Negra)...
Revista "Fussball" (Alemanha): "Um negro chamado Andrade representava os half-backs com um toque exótico. Mas ele é capaz de fazer mais do que se exibir. Um jogador mais hábil, decisivo e completo tacticamente era difícil de imaginar. A sua habilidade maravilhosa provocou aplausos... Após o 7-0 contra a Jugoslávia, o 3-0 contra os Estados Unidos, seguiu-se um 5-1 contra a França. Nesse jogo contra os franceses, Andrade impressionou o público com uma jogada solo de 75 metros em que ultrapassou 7 adversários e assistiu para o 4-0. Depois veio o 2-1 contra a Holanda nas meias-finais. A final seria jogada contra a Suíça... Esse Andrade, único, pôs o temido avançado suíço Abegglen completamente inofensivo no jogo graças à sua implacável marcação..."
"Mundo Deportivo" (Espanha) - Uruguai contra a Holanda e Suíça: "Os melhores uruguaios foram Andrade, grande como sempre (qualidades semelhantes a Samitier quando joga a half-back), Nasazzi, Vidal e o ataque... De vez em quando, a Suíça conseguia atacar em direcção à área uruguaia, mas os half-backs, especialmente Andrade (como de costume) impedia os ataques...
"Grupo ABC" (possivelmente da Espanha): "Como sempre, Andrade está fazendo um jogo memorável, no seu lado o ataque francês foi anulado. Ele também saía das suas responsabilidades defensivas e partia ao ataque quando necessário e toma a iniciativa quando os seus colegas falham ao criar perigo no ataque... Andrade tem sido imensurável, ele pára todos e dribla 2 ou 3 adversários... O quarto golo, Andrade pega na bola, deixa adversários franceses pelo caminho e dentro da área francesa faz um passe mortal para Petrone fazer o 4-0... O melhor (da competição) foi Andrade: É um bruxo. O que ele faz com a bola, ninguém é capaz de fazer igual. A bola que vai ao lado dele, a bola é dele e não a liberta, mesmo que caia no chão, até que seja colocada aos pés do colega que a requisita. Sempre sorridente, dando passadas largas, vai directo ao seu objectivo; se eles (adversários) o pressionarem, ele segue impassível; se eles o derrubarem, ele não perde a bola; se eles o marcarem, ele os dribla, três ou quatro; não perde nem a serenidade, nem a bola. Aqui ele se tornou o mestre, e com razão, porque ele é um grande jogador."
Otto Nerz - Revista "Kicker" (Alemanha - 1939): "Ele supera todos os que já vi. Alto e magro, ele combina todas as características de um jogador de classe: velocidade, força, habilidades e técnicas artísticas e uma grande maturidade táctica. Sem qualquer dúvida, não há muitos jogadores onde o verídico do mundo foi tão unânime como a respeito de Andrade."


