Modelo de WM proposto por Hebert Chapman no Arsenal em meados de 1930
Esquema brasileiro na Copa do Mundo de 1930
Após as paralisações do torneio mundial, a Copa de 1950, realizada no Brasil, teria uma importância ímpar, o mundo era uma célula iminente da globalização, alguns dos jogadores e técnicos estrangeiros já se conheciam, e enfim, o mundo estava pronto para a primeira copa da era moderna, e mais uma vez, no dito maracanaço o Uruguai vence o Brasil, a seleção campeã, assim como 90% das outras usavam uma adaptação do WM, o dito 3-2-5, e até o momento todos os campeões usaram cinco homens de frente! A Hungria de Sebes foi uma grande candidata a quebrar o ciclo em 1954.
Esquemas táticas de Alemanha e Hungria em 1954
Nosso lendário craque subvertia aquele sistema tático, pois com seu desdobramento em campo, transformava por várias vezes, dinamicamente, o 4-2-4 em 4-3-3, um sistema tão raro de se ver em prática, que foi chamado por muitos de inédito, porém, não era! E representava uma influência da escola húngara no futebol mundial. Muitos evocam a importância de Zagallo como treinador apenas, mas isso é desconhecer e até mesmo negar o brilhante jogador que ele foi em campo.
Essa mudança de mentalidade tática aqui no Brasil, teve uma grandiosa influência de um treinador húngaro, o andarilho Bela Guttmann, que acompanhou o time do Budapest Honved, na sua excursão pelo país no ano de 1956, e à convite do São Paulo, assumiu o comando técnico do time. Bela, ganhou o campeonato paulista de 1957 e não apenas isso, mas mostrou e definiu um padrão que seria replicado por Feola em 1958 na seleção, e que teria como um fator X dessa revolução, o posicionamento e a movimentação de Zagallo em campo.
O ponta esquerdo mais badalado do momento era Canhoteiro, do time paulista, que segundo muitos, era tão talentoso quanto Garrincha, porém, diz a lenda, que um homérico porre estrelado pelo craque do São Paulo, chegou mal aos ouvidos de feola, mas na impressão do autor do tetxo, essa explicação é meramente simplista. Já haviam jogadores ofensivos demais na seleção, e era preciso alguém com fôlego e inteligente para balancear aquela seleção. Recém chegado ao Botafogo, o ponta esquerda cerebral, Mário jorge Lobo Zagallo, era o melhor indicado entre a constelação de jogadores possíveis que o Brasil tinha naquele momento.
A função de Zagallo daria outro sentido ao meio campo, por cobrir o ataque e também a marcação. Antes os homens da frente eram atacantes laterais bem fixos, que apenas agiam na parte ofensiva do campo, Zagallo começou a ser apelidado pelos seus companheiros de formiguinha, exatamente por que tinha a habilidade voltar e marcar, e aparecia em todos os setores do campo, cobrindo assim os avanços de Nilton Santos e seja lá o que for que Garrincha fizesse, mesmo que na outra ponta, era uma espécie de pêndulo daquele time, dando pela primeira vez, ares subjeitivos, de xadrez, ao jogador aberto pela ponta.
Muito pouco se diz sobre Mário Jorge Zagallo, quase como se fosse uma estrela menor naquela constelação, mas não era, o maior ganhador de copas vivo, era habilidoso, marcava, corria, sabia fazer gol e driblava, sim! Zagallo já disse em alguns depoimentos que ficou menos driblador quando foi jogar no Botafogo, exatamente em 1958, por perceber que alí já haviam peças demais no setor ofensivo. E que alguém precisava ser o cérebro daquele time, enquanto Didi lançava e Garrincha brincava de futebol arte, E ele o foi, com tanta eficiência que roubou não apenas a dita vaga de Canhoteiro, como também a titularidade na seleção de Pepe, parceiro de Pelé no Santos.
As idas e vindas de Zagallo no campo ofensivo deixavam os marcadores adversários, muitos ainda viciados no esquema com 5 delanteiros confusos, ele era o armador dos contra ataques, e uma peça fundamental dentro das jogadas de ataque na seleção.
Indo para o âmbito de clubes, o sistema tático do Botafogo, valorizava as qualidade de seus pontas, os atacantes, a safra de 1960 do Botafogo, está dentre um dos melhores e mais importantes esquadrões já montados na história do futebol, e lá estava nosso gênio. Um verdadeiro elo, da evolução tática e amadurecimento no futebol.
Em 1962, o Brasil vencia utilizando o mesmo esquema, que foi repetido, mesmo que com adaptações pela seleção inglesa campeã em 1966, o 4-2-4 parecia o novo WM, na história das táticas do futebol. Porém, como um toque do destino, Zagallo que já era técnico e havia sido bicampeão no Botafogo, duas vezes, como treinador (67-68) e jogador (61-62), começou a surgir como o nome mais indicado, após os problemas que tiraram João Saldanha do comando da seleção, e mais uma vez, registra na história dos campeões mundias uma mudança tática, um sistema 4-1-2-3, composto de muitos jogadores ofensivos, quase todos camisas dez em seus clubes, protagonizando um dos sistemas táticos e esquadrões mais lembrados na história do futebol.
A copa do mundo de 1970 colocaria nosso astro como um revolucionário tático, dentro e fora das quatro linhas. O único homem a conquistar, dentro e fora de campo, quatro campeonatos mundiais!


