No período pós-guerra, o surgimento da Organização das Nações Unidas (ONU), faz o mundo reaquecer lentamente na promessa de que os horrores de uma nova guerra, seriam evitados à qualquer custo. Nesse cenário, um espírito forte de cooperação entre as nações emerge, e o futebol, através da FIFA como sua entidade representante, ocupa pela primeira vez na história um papel político, muito impulsionado também pelo fato de que a essa altura, o amadorismo no futebol já havia ficado no passado. O clamor popular pela organização de uma nova Copa do Mundo era imenso. O presidente da organização máxima do futebol, desde 1921, era o lendário francês, Jules Rimet, (que deu nome à taça roubada após a conquista brasileira do tricampeonato em 70) que também presidia a Federação Francesa de Futebol. Junto com sua comissão, fora decidido que um ano após as Olimpíadas de Londres, a Copa do Mundo seria retomada e disputada de 2 em 2 anos, ou seja, a princípios os mundiais seriam em 1949 e 1951. Por questões de ordem logística em 27 de julho de 1948, fora decidido que a Copa seria disputada de 4 em 4 anos e remarcada para 1950 e 1954, como a Europa se encontrava em plena reconstrução, o Brasil já havia sido escolhido anteriormente como a primeira sede.
Com o adiamento da competição mundial de 1949, para não esfriar os ânimos gerais, uma sábia decisão foi tomada para a mesma data FIFA. O torneio, não seria entre nações, mas sim entre clubes, de maneira que fizesse sentido incluir a França, Jules Rimet sugeriu a criação de uma competição, entre os vencedores nacionais, dos países europeus de língua Latina. Nascia assim então a Copa Latina, com Espanha, Portugal, Itália e França, como países participantes. Conforme o acordado, a competição se daria ao final da temporada regular, com um único país sede de modo a reduzir os custos com deslocamentos. A Federação internacional de futebol, optou por não se declarar organizadora exclusiva do torneio, deixando esse cargo à serviço das federações.
Pai da Copa do Mundo, Jules Rimet também viria a ser entusiasta de uma competição de clubes que integrasse a Europa e participou da criação da Taça Latina
PRINCIPAIS PERSONAGENS
A competição foi disputada entre os anos de 1949 e 1957, anualmente, com exceção do ano de 1954, em virtude da realização da Copa do Mundo no continente Europeu. Como era de se imaginar, as torcidas nacionais aguardavam ansiosamente a confirmação do poderio de suas equipes a nível continental, e essa agora era a competição mais importante sendo disputada na Europa. Já na primeira edição, realizada na Espanha, foi um grande sucesso. O jogo de abertura, pode ser tomado como um dos momentos mais emocionantes na história do futebol, os atuais campeões italianos, enfrentariam o campeão português, sendo eles Torino e Sporting. Se o leitor for conhecedor da história do futebol, já deve ter notado que Torino e 1949 no mesmo tema, nos remetem à terrível tragédia em Superga, num acidente aéreo, que vitimou 18 talentosos jogadores do Torino, um dos desastres mais tristes de todo o esporte, pois o time italiano, fora possivelmente o clube mais poderoso na Europa nos anos anteriores, com um futebol mágico e único. A Copa Latina deu início em junho, exatamente um mês após o acidente. Muitos tributos foram prestados na partida inaugural, a qual, o Sporting venceu o Torino por 3 a 1. Os italianos conquistaram um honrado terceiro lugar, numa equipe formada por reserva e juniores, ao vencer a equipe francesa do Stade de Reims por 5 a 3. Os primeiros campeões foram o Barcelona, vencendo o Sporting por 2 x 1.
Os grandes nomes das equipes vencedoras, entre eles, Peyroteo, Nordahl, Kubala, Kopa, fizeram da competição um desfile de valiosos craques, um período romântico do futebol, os campeões do torneio marcaram o nome de seus clubes no cenário mundial. A Copa Latina, deixou de ser disputada em 1957, para dar lugar a uma competição unificada dos campeões europeus, a mesma que modernamente conhecemos como Champios League.
A última final disputada no ano de 1957, foi um jogo épico, entre Real Madrid, que contava com o craque Di Stéfano e o Benfica, que também apresentava uma geração incrível. Confira os dois elencos:Equipe do Barcelona campeã em 1952.O elenco que disputou a final era formado por Ramallets, Martin, Biosca, Seguer, Bosch, Escudero, Basora, César, Kubala, Aldecoa e Manchon.
Real Madrid 1-0 Benfica
Madrid: J.Alonso, Torres, Marquitos, Lesmes II, Múñoz, A.Rúiz, Joseíto, Kopa,
Di Stéfano, Rial, Gento
Benfica: Bastos, Calado, Serra, Angelo; Zehinho, Alfredo, Palmeiro, Coluna, Águas,
Salvador, Cavem
Gol: Di Stéfano 50min
LISTAGEM GERAL DE CAMPEÕES
| Ano | Final | Jogo para o 3º Lugar | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Estádio | Campeão | Resultado | Finalista | Terceiro Lugar | Resultado | Quarto Lugar | |
| 1949 | 2 – 1 | 5 – 3 | |||||
| 1950 | 3 – 3 ap 2 – 1 ap |
2 – 1 | |||||
| 1951 | 5 – 0 | 3 – 1 | |||||
| 1952 | 1 – 0 | 3 – 2 | |||||
| 1953 | 3 – 0 | 4 – 1 | |||||
| 1955 | 2 – 0 | 3 – 1 | |||||
| 1956 | 2 – 1 | 2 – 1 | |||||
| 1957 | 1 – 0 | 4 – 3 | |||||
| Ano | Jogadores | Gols |
|---|---|---|
| 1949 | Fernando Peyroteo |
3 |
| 1950 | Arsénio Duarte |
2 |
| 1951 | André Strappe |
5 |
| 1952 | Giampiero Boniperti |
3 |
| 1953 | João Martins |
4 |
| 1954 | não disputada | |
| 1955 | Héctor Rial |
2 |
| 1956 | Schiaffino |
3 |
| 1957 | Francisco Gento |
3 |


